Falo ou Não Falo?


Isso é uma questão complicada.

Tenho visto por fóruns diversos pedidos de opiniões de pessoas que querem expor a sua preferência ao BDSM para amigos e familiares. Se isto é uma decisão sábia ou uma armadilha. Bem, eu vou contar sobre a minha experiência sobre o assunto.

Quem sabe posso ajudar (ou atrapalhar) aqueles que estão na dúvida. Acredito que este meu método também se aplique em pessoas que queiram contar a seu parceiros. Mas não sei, pois até então eu só me relacionei com pessoas já do meio…

Falo?

Eu sou o tipo de pessoa (aliás eu era) muito reservada, que não costuma dividir idéias, opiniões e experiências pessoais para familiares a amigos. Porém, conforme o tempo foi passando e minha fascinação pelo BDSM aumentando, tive um ímpeto de querer falar sobre a minha preferência, algo que se fosse a alguns anos atrás acharia impossível.

No início achei uma idéia louca, e estava me contendo. Mas conforme o tempo foi passando, a vontade foi aumentando. Queria falar da minha preferência BDSM a um amigo meu, de longa data, nos conhecemos desde o colegial. Antes de falar a ele, eu passei por um momento de reflexão, que levou meses. Estas foram as etapas:

Analisei o perfil dele, se tem mente aberta para ouvir e respeitar a minha preferência. Se é levado muito aos estereótipos ou aos preconceitos.

Pensei comigo mesmo nos prós e contras. Me conscientizei nas conseqüências de que poderia perder a sua amizade, e levei em consideração todas as possíveis reações dele com a noticia.

Testei ele durante os meses que se seguiram, com perguntas e situações diversas não ligadas diretamente ao BDSM para testar seu pré-conceito e visões globais. Deixei o tema em branco para que ele não se blindasse ou dissimularia um comportamento consciente ou inconscientemente. Nisto, ele sabia que eu queria ‘falar algo’.

Em um desses testes eu mostrei o logotipo BDSM, perguntei se ele sabia sobre do que se tratava. Ele não sabia do que se tratava o símbolo. Avisei a ele que não se limitasse a uma probabilidade somente. Deixei claro que não se tratava de uma sociedade secreta, religião, culto, etc… E que o símbolo havia diversos outros significados que não tinha nada a ver. Apesar disso ele disse que não iria pesquisar, devido a complexidade da pesquisa.

Pesquisa

A minha sorte foi que os dois amigos com o qual falei minha preferência BDSM aceitaram o fato sem maiores problemas. Até um deles manifestou interesse em saber mais.

Quanto a familiares, isso é algo q certamente nunca iria relatar, pelo fato de ser familia. E que essa questão é tratada de outra forma, no meu olhar. Muito menos com colegas de trabalho, pelo fato dessa informação poder vazar e possivelmente, no futuro te prejudicar profissionalmente.

Apesar de meu caso ter sido feliz, eu já ouvi casos de pessoas que não foram muito felizes em sua decisão de contar a sua preferência BDSM a seus amigos.

Já ouvi casos em que simplesmente se perdeu a amizade dos amigos, eles foram de distanciando. Outros casos onde se falou para familiares, essa pessoal foi literalmente expulsa de casa. Claro, também deve-se considerar que cada pessoa é diferente, e também o modo como essa pessoa contou.

Na minha opinião não basta dizer: “Fulano, sou Sadomasoquista!” De certo a pessoa irá se assustar e se distanciar. Tem que ver se a pessoa consegue aceitar a sua preferência (aliás, a melhor palavra seria RESPEITAR), preparar a pessoa e explicar direitinho sobre o que é o BDSM, que não é só dor e coisa de psicopata.

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